O Homem e o Pássaro.

– Cocóoo – Vibrou a criança ao ver um ganso nervoso.

– Caramba vi um dinossauro! – disse o jovem adulto ao ver a siriema.

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Símios Calvos

Acredito em Darwin. Acredito que nossos primos sejam os macacos. Acredito que a partir dessa visão podemos alcançar a paz mundial. Explico.

Eu estava arrastando os meus pés em um imenso supermercado atordoado pela quantidade de ofertas desinteressantes. Com um carrinho muito grande para as minha compras me dirigi ao caixa. Paguei. De passos lentos fui até o guichê que validava o estacionamento.

Eram duas as mulheres. Elas brigavam. O motivo parecia laboral.

– Você não pode falar de mim, assim pra ela!

– Você é folgada!

Eu entreguei o meu ticket. Ela o pegou o validou e continuou brigando sem olhar para mim. Eu observei. E imaginei. Substitui as duas mulheres por dois chimpanzés e suas palavras por guinchos símios. Tudo parecia fazer mais sentido. Dois macacos brigando por território. Físico ou social não importa. Essa é sempre o motivo profundo de nossas brigas. E se tivéssemos essa capacidade de a cada embate, lembrarmo-nos de que não passamos de grandes símios calvos, tudo estaria certo.

Mas esquecemos e sempre esqueceremos. Então ainda haverá muita faca na testa.

 

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Malditos Cartazes.

Eu estava a caminho da biblioteca com pressa. A mochila era pesada e eu queria me livrar daqueles livros. Na minha frente um casal de lésbicas uma mordendo a bochecha da outra enquanto andavam. Fofo, mas eu estava com pressa. olhei para o lado enquanto eu alcançava o casal ficando no limite de seu espaço pessoal. O olhar foi para um daqueles cartazes anacrônicos de luta da classes que dá  canseira só de pensar que muitos encalharam nesse tema e lá ficaram. A minha pressa somada a melancolia cotidiana e aos cartazes nauseantes transmitiu uma negatividade mal interpretada. A que era mordida afastou a outra e o casal se separou achando o que acharam de mim…

Malditos Cartazes.

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O flamingo

A minha internet está lenta. As frases surgem depois de ter digitado milhares de caracteres e acho isso legal. Dá um estilo meio mágico repentino, robótico. Esses dias eu estou com uma fixação em robôs. Aspiramos a eles. Ou pelo menos a sociedade gostaria que fôssemos como eles. Sem contradição, sempre conformados. Mas tudo bem isso é clichê e parece música da Pitty. O que é de certa forma detestável. Seja um robô! Isso a Pitty não diria. Não me irrite atacando o aborto e dizendo-se pró-vida. Pró-vida é aquela seita bizarra que está adesivada em alguns carros dizendo o seguinte: “O dia que você estiver pronto uma força maior o levará ao Pró-vida.” Eu só posso imaginar que lá eles sacrificam mulheres que abortaram.

Mas aparentemente de acordo com o wikipidia eles são inofensivos. No máximo são um esquema de pirâmide. Que chatice…. Os Egípcios gostavam do esquema de pirâmide, mas acabou não dando muito certo.

Agora eu não sei. Eu deveria terminar esse post com um desenho relacionado, mas a verdade é que não desenhei nenhuma pirâmide, ou mulher sendo sacrificada em um altar. Fica pra próxima. Então caro leitor fique com esse homem que tem uma echarpe de flamingo.

monstro flamingo

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Missoshiro of Doom

Eu gosto de missoshiro, mas não de tofu. Não pra comer pelo menos acho sem graça e de consistência não consistente. gosto de olhar pro tofu boiando no meu missoshiro. Aqueles cubos perfeitos banhados em uma agua quente me fascinam. Não eles em si. Mas a sua névoa. Principalmente quando ela está em repouso e ela forma uma nuvem sobre os cubos. A partir daí começo a apreciar o missoshiro.

Da última vez forma três as cenas que vi. Uma manhã enevoada sobre uma cidade japonesa. A bomba Atômica sobre uma cidade japonesa e finalmente uma tempestade sobre um mar japonês. Sim, os cubos são os prédios da cidade japonesa ou os barcos afundados pela tempestade.
No final da sopa está o que restou. Naufrágios e prédios fantasmas. e nenhuma vida. Ela toda foi tragada para dentro de mim.
Eventualmente, alguém muito querido põe fim ao cenário desolado do meu missoshiro perguntando:

– Oba! Você deixou o seu Tofu! Posso comer?
– Pode claro! Acabe com essa tristeza em minha tigela.

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Fome

Tenho uma teoria. Sem fundamento algum. Talvez nesse caso seja uma crença. Acredito que quando estamos prestes a morrer exista algum sinal bizarro.

Uma mosca dentro de um carro que estava de janelas fechadas. Um personagem estranho vagando pelos corredores do hospital. Uma gota de suor solitária em um dia frio, não sei. Só sei que  essa ideia me ocorreu um dia em que vi uma coisa dessas e não morri.

Conto melhor.

Eu estava em Parati me aventurando no mar de esnobismo e arrogância intelectual da FLIP com um dos meus melhores amigos. Para não afundar em desespero bebíamos copiosamente toda noite e depois, de pernas tortas, andávamos por cerca de dois quilômetros até o o nosso acampamento distante do agito cultural e fervilhante propiciado pelos amantes da boa literatura que nos davam náuseas.

Caminhávamos tranquilos pela orla quando nos deparamos com um cavalo. Um cavalo magro e estático. Escuro como a noite que o cercava apenas suas costelas e os ângulos de seus ossos o delineavam na sombra. Ele não nos olhava. Não olhava para nada. Parado sobre a areia nada o detinha, mas mesmo assim parecia aguardar. Alguma desgraça, quem sabe. Ou o seu dono. A fome. Terceiro Cavaleiro do apocalipse. Fiquei observando o animal insólito. Certo de que não tardaria a ver ou sofrer uma miséria maior. Meu amigo retomou os seus passos e logo o segui. Voltamos ao acampamento e não morri. Mas nasceu essa ideia. E agora sempre que vejo algo estranho que parece fora do lugar espero o pior. E nunca poderei dizer o que aconteceu no final. o carcundao 1

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Polvos

Eu ia escrever sobre a minha teoria do mistério da morte, mas fica para a próxima. Por que? Porque desenhei um polvo. Povo é uma palavra fanfarrona, utilizada a torto e a direito para expressar uma massa irracional que todos querem a seu favor mas que francamente não quer dizer nada. Por isso a minha automática desconsideração de argumentos que envolvem esta palavra, mas se você disser polvo não só terás minhas curiosidade como minha atenção. Como diria Calvin J. Candie.

Não há palavra mais séria que polvo. Não há animal mais sério que um polvo. Nunca vi alguém se atrever a desenhar, imaginar ou fotografar um polvo não sério. Mas e o polvo Paul? Ele não era simpático? Não.

Ele era extremamente sério. Tinha em seus tentáculos a responsabilidade de definir os resultados de jogos da copa do mundo. E aquele daquela propaganda de carro? Trocou a sua relação de décadas com o jovem por um carro sem titubear. Insensível, frio e calculista.

Simplesmente não há polvo simpático.

Apenas aquele que recheia o meu Temaki.

Por isso que gosto deles.o carcundao

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